fbpx

Blog

Fique por dentro das novidades

Viagem pelo topo da Europa com a nova Honda CRF1100l AfricaTwin

Viagens - Moto / Mecânica - 17/02/2021
Viagem pelo topo da Europa com a nova Honda CRF1100l AfricaTwin

Desde 2016 eu mantinha uma CRF1000L AfricaTwin em Londres. Ao final de 2020 fiz a troca pela nova CRF1100L AfricaTwin na versão Adventure Sports com transmissão DCT. Branca tricolor, lindona!

Com várias fronteiras fechadas e meus planos tumultuados pela pandemia, só consegui algumas semanas para rodar pela Europa. Yoann, um amigo francês já vinha me convidando há tempos para darmos um rolê pelos Alpes e o miolão da Europa. E lá fui eu…

Saindo de Londres, meu destino era Yvoire, uma vilazinha medieval do outro lado do lago de Genebra, nosso ponto de encontro. Seriam quase 1.000 km nesse dia.

Ainda estava escuro quando liguei o motor. Adoro sair cedinho assim, mesmo com o frio mais intenso. Nada de GPS. No painel todo digital, um TFT de 6,5”, dá para parear o celular e com isso fui de Google Maps. Com alguns toques na tela fiz os ajustes de suspensão, do modo de pilotagem (6 ao todo) e do nível de aquecimento de punho. Também ajustei a altura do para-brisa e pronto.

Fui pela M20 em direção ao porto de Dover. Fui pelo Eurotunel. Embarquei com a moto em um vagão de trem que segue por baixo do canal da mancha até o lado francês. São apenas 40 minutos. Burocracia zero. Tudo rápido e tranquilo.

Com uma autonomia em torno de 500 km, não deveria parar muito, mas a chuvinha intermitente e o frio me fizeram pedir alguns chocolates quentes pelo caminho. E assim fui até que ao anoitecer cheguei ao meu destino. Depois de um dia longo desses, deveria estar quebrado, mas não, estava inteirão.

O Yoann estava me esperando e fomos saborear um “Gratin Savoyard”, jantar dos Deuses!

O Yoann também tem uma CRF1100L AfricaTwin, versão Adventure Sports, preta, com transmissão manual e com os baús de alumínio originais que ainda não tenho na minha. Linda também!

Fomos pela “Route de Napoleon”, uma estrada adorada pelos motociclistas europeus, que liga os maiores picos dos Alpes até a costa mediterrânea. O tempo todo alternando paisagens de montanhas, picos nevados, vilarejos com casinhas de pedra, vales como no cinema e claro, muitas curvas.

Mil paradas para apreciar esses lugares incríveis, mas também para saborear um bom pão rústico com frios artesanais, queijos e guloseimas típicas da região.

A nova AfricaTwin está ainda mais gostosa que a anterior e nas montanhas isso fica evidente. Ela responde mais forte em baixa rotação e em retomadas. A ciclística ficou ainda melhor. Mais compacta, mais ágil, tenho a sensação de estar “vestindo” uma moto feita sob medida para mim. O controle é total. Uma delícia mesmo!

Para quem é baixo como eu, é muito bem vinda a nova altura do banco, mesmo na versão Adventure Sports, agora ajustável em 850 ou 870 mm. Mas a grande surpresa é a suspensão SHOWA “EERA”, que além de ser toda configurável eletronicamente no painel, se ajusta na posição baixa automaticamente quando a moto para e em seguida retoma sua posição com o movimento. Que mimo!

Descemos pelas “Gorges du Verdon” em direção à região da Provence. Cânions, lagos, campos coloridos de lavanda e vilarejos medievais completam esse cenário maravilhoso. Agora temos curvas longas, penhascos e trechos espremidos contra paredões de rochas.

E a transmissão DCT? Ela faz toda a diferença no prazer de pilotar. Nesse trecho eu escolho uma das opções Sport do modo automático (clique aqui para saber mais sobre o DCT) e me deixo levar, mas à medida que quero puxar mais, numa ultrapassagem ou por simples prazer, basta usar as paletas manuais para reduzir ou subir as marchas. Tenho assim o controle o tempo todo, como e quando quero. Puro prazer!

Enquanto a minha AfricaTwin tem transmissão DCT, a do Yoann é manual. Isso, foi motivo de brincadeiras e pequenas disputas. A esportividade do DCT é óbvia. Bastou colocar as duas lado a lado e puxar tudo no retão. Sem erro, a minha é muito mais rápida! O sistema de dupla embreagem praticamente não perde potência nas trocas de marcha que se dão em rotações mais altas. É exatamente por esse motivo que muitos carros superesportivos também adotam sistemas de transmissão de embreagem dupla como o DCT.

Paramos uma tarde em Grasse a capital mundial do perfume (caso tenha visto o filme “O Perfume”, é ali que se passa). Demais! Em seguida, descemos para Mônaco. Trânsito caótico, montanha e mar se espremendo em um micromundo de milionários. Saímos rapidinho.

Atravessamos a fronteira da Itália, rodamos pouco pela Riviera Italiana, para mais adiante retomarmos o caminho dos Alpes.

Subimos até Chamonix ao pé do Mont Blanc. Lugar famoso mundo afora, mas por sorte estávamos fora de temporada e pudemos curtir tranquilos toda a beleza do lugar. Impressionante!

Estávamos de volta à Genebra. Me despedi do Yoann para na manhã seguinte tomar o caminho de volta para Londres.

Desta vez não fui direto. Subi até Paris. Aproveitei para rever uns amigos e curtir um pouco essa cidade, iluminada como sempre.

Retomando a estrada fui até Le Touquet, famosa pelo tradicional enduro das praias, mais antigo que o Dakar.

Atravessei mais uma vez o túnel e logo estava rodando novamente pelo lado esquerdo antes de entrar na nossa garagem em Londres.

Em um ano de Covid, foi uma pequena experiência de lavar a alma. Foram quase 3.000 Km por lugares lindos com uma AfricaTwin ainda mais gostosa, “mais tudo” e agora cheia de mimos para quem gosta de viajar.

Com certeza vai ser um sucesso quando chegar ao Brasil assim como é na Europa.

Texto: Marcelo Leite

[TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NA REVISTA MOTOADVENTURE]

Marcelo Leite
Marcelo Leite

Posts relacionados



                Inscreva-se        	Inscreva-se para receber nossa newsletter